• Luiz Claudio Silva

BRASIL: UM PAÍS QUE SEGUE REMOVENDO

O MdR (Museu das Remoções), que surgiu em meio aos escombros das remoções forçadas da comunidade da Vila Autódromo no período olímpico da Rio 2016, tem realizado um trabalho, com a sua equipe, para apoiar, divulgar e dar voz a todas as comunidades pobres do Brasil, quando toma conhecimento que estão sendo ameaçadas de remoção, na maioria das vezes pela especulação imobiliária ou por algum motivo injustificável, tendo sempre por trás o capitalismo, grandes empresários e pessoas que têm interesses particulares que insistem na extinção de favelas e comunidades quilombolas, entre outras.

Nesse momento, a São Rafael e mais sete comunidades em João Pessoa – PB estão sendo coagidas pela Prefeitura, sob o comando de Cícero Lucena (Progressistas), que deu continuidade ao processo de remoções, que teve início no mandato de seu antecessor, o prefeito Luciano Cartaxo (Partido Verde). Foi instalado um escritório avançado dentro da comunidade São Rafael para pressionar os moradores, exatamente como fez o prefeito do Rio, Eduardo Paes, na Vila Autódromo. O motivo das remoções é estético: um “Parque Linear” no entorno do Rio Jaguaribe.


A comunidade Quilombola de Canelatiua (centenária), do Maranhão, vem sofrendo com o processo de remoção em virtude da construção de uma base espacial — 312 famílias já foram removidas. Um país que não cuida de sua população e que tem milhares de famílias morando nas ruas e diversos problemas sociais, preocupado com objetivos irrelevantes.



Tororó, é uma comunidade da Bahia que há 17 anos enfrenta ameaças, de onde já foram removidas 35 famílias que não aguentaram a pressão. Nesta comunidade, o motivo irrelevante para a remoção é a criação das docas de carga e descarga de um futuro shopping center, denominado Nova Lapa.


Banhados, uma comunidade histórica e centenária de São José dos Campos, em São Paulo, também está sob ameaças de remoção por um motivo descabido: a construção de “um parque” no local. Banhados vem resistindo e já tem o seu premiadíssimo plano popular, do qual nós, da Vila Autódromo, tivemos o prazer de participar do lançamento.

Não podia deixar de falar do Rio de Janeiro, aqui representado pelas comunidades Vila da Major, com 88 anos de existência, e do Horto (centenária), que travam uma resistência contra a hipocrisia e a especulação imobiliária voltada para a estética. Famílias que cuidaram do Jardim Botânico por décadas agora se veem sob a ameaça do descarte como se fossem lixos.

Continuem acompanhando a luta contra as remoções, pela garantia do direito à moradia digna. Siga as redes sociais do MdR: (@museudasremoções – Instagram, Facebook e Youtube).


No início de dezembro será lançada uma exposição digital no site do MdR (https://museudasremocoes.com/), em parceria com o grupo de pesquisa MEI (Museologia Experimental e Imagem), no âmbito de um projeto de extensão apoiado pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Unirio. A exposição digital colaborativa conta a história das comunidades supracitadas, assim como de tantas outras. Cada comunidade apresenta sua história a partir de registros em foto e vídeo. Confira!

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