• Jornal Abaixo Assinado

As propostas dos candidatos ao Governo do Estado para Jacarepaguá

Eleições 2018

As propostas dos candidatos ao Governo do Estado para Jacarepaguá

O JORNAL ABAIXO-ASSINADO DE JACAREPAGUÁ E DAS VARGENS (JAAJ) é uma publicação mensal que circula há 13 anos em toda a Baixada de Jacarepaguá. Nosso principal objetivo é construir uma comunicação que dá voz aos excluídos da grande mídia, que ouve os gritos das ruas, que mostra a efervescência cultural das comunidades e que denuncia o descaso com a Educação, Saúde, Transportes, Patrimônio Histórico e com o Meio Ambiente.

Por isso, fizemos oito perguntas sobre os problemas do estado e de Jacarepaguá para os candidatos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, de centro-esquerda (visão condizente com a nossa linha editorial).

Todavia, só recebemos respostas dos candidatos Tarcísio Motta (PSOL), Márcia Tiburi (PT), Dayse Oliveira (PSTU) e Luiz Eugênio Honorato (PCO).

Confira as respostas dos candidatos ao governo estadual nessa eleição 2018.

Luiz Eugênio Honorato – PCO

JAAJ – Quais são os seus projetos para recuperar a economia do estado?

A economia do estado do Rio de Janeiro bem como de todo o país não será recuperada pelos mesmos representantes da burguesia que a está arruinando, submetendo a classe trabalhadora às reformas mais absurdas e austeras já vistas em todo o mundo. O GOLPE de estado imposto pela burguesia interna e impulsionado pelos grandes capitalistas internacionais, de olho em nossas riquezas, mergulhou o país e a classe trabalhadora numa das piores crises de sua história. A recuperação passa pela tomada do controle da produção pela classe operária, organizada e em defesa dos seus interesses.

JAAJ – O estado do Rio de Janeiro perdeu 523 mil vagas de emprego nos últimos quatro anos. Como reverter esse quadro?

Essas perdas foram geradas fundamentalmente em conseqüência da farsesca operação lava jato, que com o pretexto de combater a corrupção vem entregando setores importantes da economia nas mãos dos verdadeiros corruptos. Para reverter o quadro, do desemprego no Rio e no Brasil, lutamos pela redução da carga de trabalho para 35 horas e melhor remuneração dos trabalhadores.

JAAJ – A Baía de Guanabara e o complexo lagunar da Baixada de Jacarepaguá recebem milhares de litros de esgoto por segundo em suas águas. Quais são as suas propostas para minimizar essa situação?

Esses não são os lugares corretos de se despejar esgoto. Nossa luta se dá em torno da estatização das companhias de tratamento de água e esgoto para que serviços básicos e de primeira necessidade para o conjunto da população não se torne mercadoria para satisfazer os bolsos de meia dúzia de empresários.

JAAJ – Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), existe uma correlação entre mortes de policiais militares e vítimas civis fatais das operações da polícia no Rio. Após o óbito de um policial em serviço, a probabilidade de um civil perder a vida em meio a uma ação policial no mesmo local aumenta em 1.150% no mesmo dia; em 350% no dia seguinte; e em 125% entre cinco e sete dias mais tarde. Como diminuir essa onda de violência que tem ceifado a vida de milhares de jovens pardos e negros, que moram nas comunidades do Rio?

A única solução para a violência urbana é emprego e renda. Para isso precisamos lutar para aumentarmos a produção, gerando mais riquezas para a classe trabalhadora a fim de nos fornecer condições de vida digna e confortável. Sem dignidade para a classe trabalhadora não haverá paz.

JAAJ – Existe uma carência muito grande de escolas estaduais que ofereçam o Ensino Médio em três turnos na região da Baixada de Jacarepaguá. O senhor pretende terminar as obras do Colégio Estadual Stella Matutina e do Colégio Estadual Pedro Aleixo?

As escolas de todo o país devem ser melhores equipadas e seus professores e trabalhadores em geral mais bem remunerados. Defendemos a estatização de todo sistema de educação em todos os níveis.

JAAJ – As enchentes são problemas constantes em toda a Baixada de Jacarepaguá. Como resolvê-las?

A população de cada região afetada por esses problemas deve se organizar para exigir do governo que façam estudos de cada caso e que tomem as providências cabíveis em cada situação.

JAAJ – O Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (Curupaiti) e o Hospital Estadual Santa Maria estão completamente abandonados. Como revitalizá-los?

Investimentos maciços em saúde pública é uma de nossas bandeiras de lutas. Não é possível que a saúde das pessoas seja tratada como mercadoria e vendida para satisfação dos lucros de empresários. Saúde e educação não devem ser tratados como se fossem produtos em prateleiras de lojas de artigo de luxo, vendidos apenas a uma pequena parcela capaz de pagar.

JAAJ – Quais são as suas propostas para o Parque Estadual da Pedra Branca, a maior floresta urbana do mundo?

Preservá-la como a maior floresta urbana do mundo e utilizá-la para turismo consciente gerando riqueza e emprego para a região.

Dayse Oliveira – PSTU

JAAJ – Quais são os seus projetos para recuperar a economia do Estado?

Em primeiro lugar precisamos garantir o dinheiro para fazer o investimento necessário. O governo do Rio de Janeiro, assim como o Governo Federal, está pagando bilhões em serviços da dívida pública para banqueiros nacionais e estrangeiros, e são mais alguns bilhões em isenções fiscais para grandes empresários. Nós precisamos suspender as isenções fiscais e parar de pagar completamente a dívida, e usar esse dinheiro em um grande Plano de Obras Públicas, que gere emprego e renda e garanta obras de interesse da população.

JAAJ – O estado do Rio de Janeiro perdeu 523 mil vagas de emprego nos últimos quatro anos. Como reverter esse quadro?

Vamos criar uma Empresa de Obras de Públicas para assumir projetos de interesse público, que irá gerar empregos e reativar a economia do Estado. Mas não podemos falar de empregos sem discutir o impacto das novas tecnologias e dos processos de automação. É preciso que o avanço tecnológico deixe de estar a serviço dos lucros de alguns, gerando superexploração e desemprego, e passe a estar a serviço da melhoria da qualidade de vidas de todos. A solução para a crise do emprego está na redução da jornada de trabalho sem redução de salários, e a divisão do trabalho necessário entre todos os trabalhadores, melhorando a vida de cada um.

JAAJ – A Baía de Guanabara e o complexo lagunar da Baixada de Jacarepaguá recebem milhares de litros de esgoto por segundo em suas águas. Quais são as suas propostas para minimizar essa situação?

É preciso investir em saneamento e na preservação no meio em que vivemos. Por isso um Plano de Obras Públicas é tão importante para o nosso programa. Precisamos deixar de transferir o dinheiro dos nossos impostos para banqueiros e empresários através da dívida e isenções e investir na melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora. Outra coisa fundamental é a implantação de Conselhos Populares, que passe o poder para a classe trabalhadora e o povo pobre. Serão os Conselhos Populares que irão decidir sobre projetos de impacto ambiental e quais as obras necessárias. Além disso, vamos punir rigorosamente as empresas que poluem, elas devem ser estatizadas e passar a serem controladas pelos seus trabalhadores.

JAAJ – Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), existe uma correlação entre mortes de policiais militares e vítimas civis fatais das operações da polícia no Rio. Após o óbito de um policial em serviço, a probabilidade de um civil perder a vida em meio a uma ação policial no mesmo local aumenta em 1.150% no mesmo dia; em 350% no dia seguinte; e em 125% entre cinco e sete dias mais tarde. Como diminuir essa onda de violência que tem ceifado a vida de milhares de jovens pardos e negros, que moram nas comunidades do Rio?

A política de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro segue uma lógica de ocupação militar, seguindo a política de Guerra às Drogas do Imperialismo americano. É preciso transformar essa polícia, que deve ser unificada, desmilitarizada e democrática, com os comandantes eleitos pela tropa. Temos que investir em um serviço de inteligência que combata quem lucra com o crime organizado, que não é a juventude negra que sofre com um genocídio nas favelas e periferias do Rio. A polícia precisa ter um forte vínculo com a comunidade. E é preciso descriminalizar as drogas, controlar a produção e a venda a partir do Estado, e cuidar do vício e dos problemas de saúde associados a ele. Só assim vamos resolver o problema da violência no Rio de Janeiro.

JAAJ – Existe uma carência muito grande de escolas estaduais que ofereçam o Ensino Médio em três turnos na região da Baixada de Jacarepaguá. A senhora pretende terminar as obras do Colégio Estadual Stella Matutina e do Colégio Estadual Pedro Aleixo?

Sou professora da Rede Estadual e fui diretora do SEPE, conheço bem os problemas da Educação em nosso Estado. Nós vamos terminar as obras e investir pesado na construção e reformas de escolas, usando o dinheiro que tem ido para os banqueiros. É preciso ter uma estrutura de qualidade para acolher os alunos, mas também garantir a democracia nas escolas, a autonomia pedagógica para os professores e a remuneração dos profissionais. Um dos nossos principais desafios neste momento é enfrentar a Reforma do Ensino Médio e garantir uma educação completa e de qualidade para nossa juventude.

JAAJ – As enchentes são problemas constantes em toda a Baixada de Jacarepaguá. Como resolvê-las?

Saneamento básico. O povo não aguenta mais as enchentes frequentes e tragédias como as que ocorreram no Morro do Bumba, em Xerém, em Friburgo e etc. Não é só Jacarepaguá, mas um problema de todo o Estado. Por isso um Plano de Obras Públicas se faz tão necessário. É preciso realizar obras de saneamento básico, limpar nossos rios, punir as empresas que poluem e colocar na mão da população, através dos Conselhos Populares, a decisão sobre as obras que devem ser feitas, garantindo todos os estudos técnicos necessários para isso.

JAAJ – O Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (Curupaiti) e o Hospital Estadual Santa Maria estão completamente abandonados. Como revitalizá-los?

É preciso investir. Por isso não dá pra continuar pagando a dívida e concedendo isenções para grandes corporações sem ter contrapartidas. Nós vamos revitalizar os hospitais com a contratação de mais profissionais e realizando as obras necessárias através de uma Empresa de Obras Públicas. E gestão é fundamental. A administração será feita a partir dos próprios profissionais que atuam no local, que conhecem os problemas que enfrentam. Democracia Operária. Os trabalhadores escolhem os gestores a partir do próprio quadro de funcionários e decidem onde alocar os recursos.

JAAJ – Quais são as suas propostas para o Parque Estadual da Pedra Branca, a maior floresta urbana do mundo?

Queremos preservar o Parque, mas também investir na agricultura familiar, especialmente na produção orgânica que já existe na região. Essa parte do Rio de Janeiro era chamada de “Sertão Carioca” por conta da sua produção agrícola, que tem resistido apesar do pouco apoio. Nós vamos desenvolver um sistema de hortas públicas e apoiar o pequeno agricultor e as feiras de produtores. Quanto à preservação, nossa política é que os Conselhos Populares, formados pelas comunidades da região, decidam sobre qualquer projeto que tenha impacto sobre o Parque e as áreas próximas.

Márcia Tiburi – PT

JAAJ – Quais são os seus projetos para recuperar a economia do Estado?

Para começar é preciso reconhecer que o país, infelizmente, não superou a crise. Notícias da mídia amiga do golpe podem ajudar a camuflar, mas não geram empregos, consumo nem vitalidade à economia brasileira. A crise será efetivamente superada com a retomada da democracia, essencial para a geração de confiança nas relações sociais; a priorização do combate às desigualdades, ampliação da oferta pública de serviços e o fortalecimento da infraestrutura social e econômica; e com reforma estruturais debatidas e acordadas junto a todos os setores da sociedade. Não interessa ao Rio de Janeiro o crescimento econômico que concentra renda, desorganiza a vida nas cidades, destrói a natureza, impedindo o bem viver de todos. Nem tampouco a estagnação atual que desalenta empresários e trabalhadores, acelera a degradação ambiental e coloca em risco o futuro da nossa e das próximas gerações. Para um processo de desenvolvimento integrado em seus aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais, vamos recuperar a capacidade de planejamento do estado do Rio de Janeiro, em diálogo com todos os setores da sociedade. Promover ações coordenadas, com uma visão sistêmica e regional. É imperativo recuperar a autonomia de gestão fiscal. A renegociação da dívida aprovada no governo Temer não resolveu o problema do estado do Rio de Janeiro. Ao contrário, essa renegociação é uma bomba-relógio, prestes a estourar. A renegociação impôs regras que tendem a piorar a capacidade futura de geração de receitas, anula o poder de barganha e contestação do estado frente à União e retira autonomia de um governo estadual eleito.

JAAJ – O estado do Rio de Janeiro perdeu 523 mil vagas de emprego nos últimos quatro anos. Como reverter esse quadro?

A retomada do desenvolvimento econômico e a geração de empregos em todo o estado são nossas prioridades. Entre o início da crise política e econômica em 2015 e junho de 2018, o Estado do Rio de Janeiro apresentou uma queda percentual de empregos com carteira assinada de 14,3%, contra uma queda no total do país de 6,6%. O desenvolvimento que queremos, o Brasil experimentou com os governos Lula/Dilma. Os estaleiros estão à míngua e perdemos milhares de empregos. Como forma de estimular a geração de emprego, iremos apoiar o microempresário através de medidas como a facilitação de abertura de empresas pela Junta Comercial em parceria com o SEBRAE e as prefeituras; ampliaremos também o microcrédito através da AGERIO, vinculada ao Governo do Estado. Vamos retomar os investimentos na indústria naval, um dos setores mais atingidos pelo desmonte do governo ilegítimo do Temer. É importante, ainda, construir uma política de fomento à indústria no conjunto do estado e suas regiões. Enquanto no Estado de Santa Catarina o emprego formal industrial representa em torno de 30% do total do emprego, no Estado do Rio de Janeiro este percentual é de apenas 10%. Quanto à agricultura, incentivaremos a agroecologia, favorecendo a ampla capacidade de inclusão e geração de renda da economia solidária, do cooperativismo e da agricultura familiar.

JAAJ – A Baía de Guanabara e o complexo lagunar da Baixada de Jacarepaguá recebem milhares de litros de esgoto por segundo em suas águas. Quais são as suas propostas para minimizar essa situação?

O problema de saneamento, hoje, está assentado em duas vertentes associadas: as habitações informais e o fato de os bairros mais populares não terem infraestrutura adequada, restando aos moradores a destinação inadequada dos resíduos que poluem as lagoas. Nosso governo proverá infraestrutura para as habitações carentes e tratará o Complexo Lagunar da Baixada de Jacarepaguá na perspectiva do investimento no potencial da paisagem local, da saúde dos moradores e da expansão do mercado turístico, viabilizando o parque hoteleiro e gastronômico existente e valorizando os atrativos e eventos da região.

JAAJ – Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), existe uma correlação entre mortes de policiais militares e vítimas civis fatais das operações da polícia no Rio. Após o óbito de um policial em serviço, a probabilidade de um civil perder a vida em meio a uma ação policial no mesmo local aumenta em 1.150% no mesmo dia; em 350% no dia seguinte; e em 125% entre cinco e sete dias mais tarde. Como diminuir essa onda de violência que tem ceifado a vida de milhares de jovens pardos e negros, que moram nas comunidades do Rio?

Nossa política de segurança será pautada tanto pelo respeito ao princípio da legalidade estrita quanto por ações de inteligência e planejamento na prevenção, para evitar que crimes ocorram, e nas respostas aos crimes. Nossa prioridade será a defesa da vida. Segurança pública não se faz com vingança cega ou ações arbitrárias, mas com medidas integradas que envolvem cultura, educação, criação de empregos e melhora da qualidade de vida da população.  

JAAJ – Existe uma carência muito grande de escolas estaduais que ofereçam o Ensino Médio em três turnos na região da Baixada de Jacarepaguá. A senhora pretende terminar as obras do Colégio Estadual Stella Matutina e do Colégio Estadual Pedro Aleixo?

Vamos concluir essas obras! Temos convicção que a educação é a base para um estado do Rio mais justo e mais feliz. Nosso governo terá mais educação e não menos. A região de Jacarepaguá é a que mais ganha moradores em todo o Rio de Janeiro, e o número de jovens que necessitam de vagas nas escolas estaduais aumenta na mesma proporção. A solução encontrada pela Secretaria de Educação (SEEDUC) foi o compartilhamento da rede municipal pela rede estadual. Assim, não se investiu na construção de outras escolas. Por ação do Ministério Público do Rio de Janeiro, em novembro de 2013, iniciou-se a construção de um novo prédio para abrigar o C.E. Pedro Aleixo, na Cidade de Deus, com previsão para ficar pronta no início do ano letivo de 2015. Em agosto do mesmo ano, a SEEDUC informou que a obra estava paralisada e sem previsão de continuidade, usando a crise fiscal do estado como desculpa para a não conclusão. No C. E. Stella Matutina, localizada no Tanque, o governo estadual afirma já ter gasto 2,3 milhões, mas a escola se mantém no meio de um matagal sem a menor condição de funcionamento. Vamos inverter a lógica do corte de gastos em educação e voltar a cumprir o investimento estabelecido em lei. E mais, nosso governo vai revolucionar o ensino médio do Rio de Janeiro. Vamos levar ensino médio para todos os territórios, melhorar escolas e ampliar as FAETECs, com critérios de acesso priorizando a moradores da região. Significa que os estudantes do ensino médio vão ter escolas perto das suas casas. Vamos ampliar a oferta de horário integral, mas não no modelo do governo atual. Horário integral com qualidade, em diálogo com a juventude, seus interesses e anseios.

JAAJ – As enchentes são problemas constantes em toda a Baixada de Jacarepaguá. Como resolvê-las?

Investimentos em drenagem aliados a estratégias de ordenamento territorial e à recuperação ambiental e paisagística de rios são muito importantes para futuro saudável da metrópole. Nós compreendemos que as soluções para essas graves situações de inundações passam não somente pela canalização dos rios (alargamento ou implantação de calhas de concreto nos rios para aumentar sua vazão e evitar que transbordem), procedimento caro, de longo prazo, que descarta o potencial ambiental e paisagístico dos rios. Atualmente, são comuns estratégias mais inovadoras e sustentáveis que incluem a identificação de áreas que não deveriam ser ocupadas para servirem de zonas de acumulação em situações de chuvas muito fortes e/ou prolongadas; recuperação ambiental e paisagística dos rios e suas margens, transformando-os em “corredores verdes”, sempre que possível e sem prejuízo à população; garantir a superação de risco de famílias, que estejam em áreas passíveis de alagamentos, para áreas próximas, seguras, com moradia digna; todas essas, claro, associadas à limpeza e dragagem dos rios para manutenção de sua capacidade de drenagem. A proposta do Estado é buscar apoiar a Prefeitura em ações coerentes com essa visão, complementares às soluções de macrodrenagem já em processo de implantação, previstas no Programa de Recuperação da Bacia de Jacarepaguá, criado em 2011, e também contidas no Plano Estratégico da prefeitura, com metas e diretrizes até 2020.

JAAJ – O Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (Curupaiti) e o Hospital Estadual Santa Maria estão completamente abandonados. Como revitalizá-los?

O Hospital de Curupaiti, assim como o Hospital Estadual Santa Maria, foram abandonados pelo Governo do Estado: faltam remédios e insumos básicos, a estrutura está sucateada, as equipes estão incompletas. É preciso que a população saiba que o Governo Pezão, segundo dados do Ministério Público, deixou de investir pelo menos 600 milhões de reais, obrigatórios por lei, no SUS. Além de um problema financeiro, existe um problema sério de gestão, com desperdício e denúncias de desvio de dinheiro, como temos visto na imprensa. O primeiro passo para revitalizar essas unidades é cumprir a lei e investir pelo menos 12% das receitas estaduais na Saúde. Com esses recursos, vamos reformar e reequipar esses dois hospitais, assim como contratar novos profissionais. Vamos também melhorar e dar mais transparência à gestão: fazer seleção pública para os cargos de direção e repactuar o papel desses hospitais na rede do SUS.

JAAJ – Quais são as suas propostas para o Parque Estadual da Pedra Branca, a maior floresta urbana do mundo?

É estratégico priorizar a conservação do patrimônio ambiental e sua biodiversidade e a conservação do patrimônio cultural, e investir no enorme potencial de visitação do PEPB, que pode assumir um papel importante como ativo turístico para a cidade e a metrópole do Rio de Janeiro. Vamos valorizar os órgãos como o INEPAC e o INEA e a capacidade inovadora de gestão, estabelecendo parcerias e gestão participativa com a população diretamente implicada em seu entorno e interior. A complexidade da proximidade com o ambiente urbano, em uma região em constante expansão, exigem planejamento e gestão contínua do parque, em diálogo com a população. Vamos fortalecer a interlocução com os diversos setores da sociedade e fortalecer a atuação do Conselho Consultivo dessa Unidade de Conservação, que possui muitas instituições com perfis variados e grande potencial de intercâmbio e colaboração para a implementação do PEPB. Os programas de ação e proteção do parque serão feitos de forma participativa. Isso inclui o estabelecimento de conselhos locais nos bairros adjacentes à UC, visando a pactuação de ações, incluindo a proposta de consolidar um cinturão agroecológico no entorno do parque.

Tarcísio Motta – PSOL

JAAJ – Quais são os seus projetos para recuperar a economia do estado?

Primeiro, é preciso revisar o Regime de Recuperação Fiscal. Isso não é um plano de recuperação. Isso é suicídio fiscal. O que o governo Temer fez com o estado do Rio foi agiotagem. Ele simplesmente empurrou a divida para o próximo governador cobrando juros escandalosos. E não será com cortes na saúde e na educação que vamos conseguir sair do buraco que a máfia do PMDB nos enfiou. Precisamos rejeitar as políticas de austeridade fiscal que retiram direitos da população e recuperar as finanças do Governo do Estado investindo na diversificação da matriz econômica, incentivando o adensamento das cadeias produtivas e induzindo a retomada da atividade para ampliar a arrecadação. Além disso, vamos renegociar a dívida do Rio com a União, auditar os contratos, reestruturar a política de isenção fiscal, otimizar o uso dos recursos públicos e garantir a integração dos órgãos estatais de forma que a as ações de governo sejam mais eficientes.

JAAJ – O estado do Rio de Janeiro perdeu 523 mil vagas de emprego nos últimos quatro anos. Como reverter esse quadro?

Vamos promover medidas de desburocratização, aperfeiçoando os processos de abertura, fechamento e alteração contratual de empresas, por meio do preenchimento de um cadastro único online, que irá disparar automaticamente os trâmites legais de cada órgão do Estado, reduzindo assim o tempo médio dos processos. E vamos implementar um programa de crédito popular para apoiar o autoempreendimento, dando o suporte necessário às pessoas que queiram empreender no estado, sobretudo em se tratando de micro e pequenos negócios. Além dessas medidas gerais, vamos investir no complexo industrial da saúde: o fortalecimento do Instituto Vital Brasil e do Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Farmanguinhos) serão os primeiros passos para que possamos transformar o Rio em um pólo de inovação tecnológica com pesquisas de ponta na área da saúde, em especial na produção de medicamentos. Também vamos investir na economia da cultura e do entretenimento: promover festivais, saraus, encontros, desfiles, oficinas e apostar numa política de pontos de cultura e programas de incentivo a arte para democratizar a produção e estimular a diversidade artística. Da moda ao cinema, da música ao teatro, tem muita coisa boa acontecendo no Rio. O que falta é política de Estado. Vale lembrar que o Carnaval sozinho movimentou mais de R$15 bilhões na economia do Rio de Janeiro desde 2010. Só no ano passado, foram R$3 bilhões. Precisamos reconhecer a cultura como um importante indutor de desenvolvimento econômico e emprego. Mas nossa principal estratégia de geração de emprego será investir em obras de construção civil nas áreas de mobilidade urbana e de saneamento ambiental para qualificar a infraestrutura das nossas cidades, destinando vagas de trabalho para os moradores locais e transformando, assim, os investimentos em obras numa política de distribuição de renda.

JAAJ – A Baía de Guanabara e o complexo lagunar da Baixada de Jacarepaguá recebem milhares de litros de esgoto por segundo em suas águas. Quais são as suas propostas para minimizar essa situação?

A Zona Oeste está, de fato, à beira de um colapso sanitário. Por isso, é urgente construir novas redes de coleta e estações de tratamento de esgoto na Zona Oeste, principalmente no entorno dos rios Arroio-Pavuna, Pavuninha, Arroio Fundo, Canal do Anil, Rio das Pedras, Cachoeira e Itanhangá, que deságuam no complexo lagunar de Jacarepaguá. Também é preciso investir na recuperação de manguezais, restingas e matas de encosta para melhorar a contenção de águas nas grandes chuvas. Além disso, vamos implementar os planos de preservação elaborados pelos comitês de bacia hidrográfica e despoluir as lagoas da Barra da Tijuca, de Jacarepaguá, de Marapendi e do Camorim. Com relação à Baía de Guanabara, vamos assumir o compromisso de seguir o Relatório da Comissão Especial da Baía de Guanabara, presidida pelo deputado estadual Flavio Serafini, que elenca 63 recomendações para recuperar esse importante ecossistema.

JAAJ – Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), existe uma correlação entre mortes de policiais militares e vítimas civis fatais das operações da polícia no Rio. Após o óbito de um policial em serviço, a probabilidade de um civil perder a vida em meio a uma ação policial no mesmo local aumenta em 1.150% no mesmo dia; em 350% no dia seguinte; e em 125% entre cinco e sete dias mais tarde. Como diminuir essa onda de violência que tem ceifado a vida de milhares de jovens pardos e negros, que moram nas comunidades do Rio?

Não vamos insistir nessa política de segurança falida, que trata a favela como território inimigo e mata pobre todo o dia. Esse modelo não gera segurança. Pelo contrário, gera medo, violência e sofrimento, em especial para a juventude negra que está sendo exterminada. E isso a um custo enorme para os cofres públicos. Só na ocupação da Maré em 2014 foram gastos R$600 milhões. E a previsão de gastos para a intervenção esse ano ultrapassa a marca de R$1 bilhão. É preciso mudar o modelo como um todo. Vamos modernizar a gestão, integrar os diferentes órgãos de segurança e priorizar o combate ao tráfico de armas. Os agentes de segurança serão ouvidos e, junto com eles, vamos melhorar suas condições de trabalho. Queremos valorizar o salário dos servidores e garantir planos de carreira dignos. Além disso, vamos aprimorar o controle externo e fazer uma limpa nas instituições para retirar das ruas os agentes envolvidos com grupos criminosos. Nosso objetivo será reduzir os índices de violência, em especial, homicídios e estupros, e construir uma rede pública de apoio, acolhimento e denúncia para familiares e vítimas.

JAAJ – Existe uma carência muito grande de escolas estaduais que ofereçam o Ensino Médio em três turnos na região da Baixada de Jacarepaguá. O senhor pretende terminar as obras do Colégio Estadual Stella Matutina e do Colégio Estadual Pedro Aleixo?

Sim. Vamos terminar as obras dos novos prédios e realocar os alunos que hoje sofrem em unidades que estão caindo aos pedaços. E vamos fazer uma auditoria para passar a limpo todos os problemas que fizeram essas obras milionárias ficarem anos atrasadas sem perspectiva de serem concluídas.

JAAJ – As enchentes são problemas constantes em toda a Baixada de Jacarepaguá. Como resolvê-las?

A preocupação com o uso do solo e seu impacto na vida das pessoas é um dos destaques de nosso plano de governo. Vamos investir em infraestrutura urbana e sistemas agroflorestais para garantir a contenção de encostas, a recuperação dos rios e o aumento da permeabilidade do solo. Além disso, vamos trabalhar junto com a prefeitura do Rio para ampliar os programas de coleta de lixo, tornar as estruturas de drenagem mais eficientes e qualificar os sistemas de alerta na região. O objetivo será prevenir as enchentes aperfeiçoando o planejamento urbano.

JAAJ – O Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (Curupaiti) e o Hospital Estadual Santa Maria estão completamente abandonados. Como revitalizá-los?

A saúde será uma de nossas prioridades. Vamos garantir os recursos necessários para revitalizar tanto o Instituto Estadual de Dermatologia Sanitária (Curupaiti), quanto o Hospital Estadual Santa Maria. Não será com cortes no orçamento da saúde que vamos tirar o Rio do buraco que a máfia do PMDB nos enfiou. O que os governos do Cabral e do Pezão fizeram com a saúde é um absurdo. Nos últimos anos o Pezão investiu menos da metade do mínimo constitucional na saúde. A rede assistencial foi quase que completamente privatizada e o governo não tem como fiscalizar como esse dinheiro é gasto. Não são poucos os casos que foram parar nas páginas policiais do jornal devido a escândalos de corrupção. E quem paga a conta é a população. Nós vamos retomar o controle público da gestão e reorganizar a rede de urgência e emergência do estado para acabar com os gargalos. Vamos criar um plano de carreira para melhorar os salários e as condições de trabalho dos profissionais da saúde. E integrar os sistemas de atendimento, o Sisreg e o Ser, que hoje não se comunicam, para ampliar a agilidade e eficácia dos serviços. O estado do Rio merece um sistema de saúde com acesso universal, integral, gratuito e igualitário.

JAAJ – Quais são as suas propostas para o Parque Estadual da Pedra Branca, a maior floresta urbana do mundo?

Vamos investir em programas de gestão compartilhada que integrem as comunidades do entorno na preservação ambiental do parque, tais como o gari comunitário, os guardiões de rios, os mutirões de reflorestamento e de limpeza, entre outros. Queremos valorizar, sobretudo, as comunidades tradicionais de quilombolas e caiçaras que vivem ali. Isso gera emprego para os moradores locais e ajuda na conservação do parque. Também vamos reforçar a sinalização e ampliar o número de guardas-parques para aumentar a segurança nas trilhas. Além de reforçar o controle para diminuir a caça e o fogo dentro da unidade.

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
jaajbr.png