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As águas de Jacarepaguá: a Veneza Carioca se transformou em uma latrina a céu aberto

Saída de esgoto de uma galeria pluvial no Canal de Marapendi.


*Colunista historiador Val Costa –

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a década 2018-2028 como a “Década Internacional para Ação: Água para o Desenvolvimento Sustentável”, que começou no Dia Mundial da Água, em 22 de março de 2018, e terminará no dia 22 de março de 2028. Muitos especialistas entendem que os danos ambientais e as mudanças climáticas estão gerando graves problemas hídricos em todo o mundo. O território brasileiro possui 12% de toda a água doce do planeta. Ele está dividido em 12 regiões hidrográficas: Bacia Amazônica, Bacia Tocantins Araguaia, Bacia do Paraguai, Bacia Atlântico Nordeste Ocidental, Bacia Atlântico Nordeste Oriental, Bacia do Paraná, Bacia do Parnaíba, Bacia do São Francisco, Bacia do Atlântico Leste, Bacia do Atlântico Sudeste, Bacia do Atlântico Sul e Bacia do Uruguai. A Lei nº 9.433/1997 estabelece que a água é considerada um bem de domínio público e um recurso natural limitado, dotado de valor econômico. Segundo a mesma lei, a água deve ser disponibilizada para as gerações presentes e futuras e utilizada de maneira racional. O município do Rio de Janeiro possui 267 cursos d’água, muitos deles foram aterrados, retificados ou canalizados ao longo do processo de expansão da área urbana da cidade. Em 2016, a Fundação SOS Mata Atlântica fez um estudo sobre a qualidade da água de 15 rios da cidade. Em 10 deles a qualidade foi considerada ruim. As metas firmadas com o Comitê Olímpico Internacional para a despoluição dos corpos hídricos da cidade até agora não foram cumpridas e os nossos rios agonizam lentamente.

Lançamento de esgoto no Rio Grande.


A Bacia Hidrográfica da Baixada de Jacarepaguá é uma planície litorânea localizada na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. Com cerca de 300 km², ela abrange as Regiões Administrativas de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Cidade de Deus. Essa bacia é formada pelos rios que descem das vertentes dos Maciços da Tijuca e da Pedra Branca, além das lagoas da Tijuca, Camorim, Jacarepaguá, Marapendi e Lagoinha. A drenagem tem como destino inicial esse complexo lagunar e, posteriormente, o Oceano Atlântico. Da área total da bacia, 176 km² são terras drenadas pelos rios. Esses rios e lagoas tiveram uma grande importância econômica para a região. Enquanto os cursos d’água eram usados para escoar uma parte da produção local de açúcar e anil durante o período colonial, as lagoas abrigaram a Colônia de Pescadores Z 14 durante a primeira metade do século XX. A Bacia Hidrográfica da Baixada de Jacarepaguá sofreu várias intervenções humanas nos últimos 50 anos.

Rio Tindiba completamente poluído.


O assoreamento acelerado, o lançamento de esgoto industrial e doméstico, a urbanização desordenada e a retificação dos cursos hídricos interferiram diretamente na dinâmica dessa bacia, causando uma série de problemas socioambientais. Um bom exemplo desse processo de degradação é o complexo lagunar: a Lagoa da Tijuca tem cerca de 6,5 milhões de metros cúbicos de lama e lixo em suas águas e o espelho d’água da Lagoa de Jacarepaguá está repleto de gigogas – plantas aquáticas que dependem da presença de esgoto para proliferarem.

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