ARTE E CULTURA EM JACAREPAGUÁ
- Ana Melo

- 29 de mai.
- 3 min de leitura
“Jacarepaguá é longe pra caramba! Jacarepaguá só se for de carro…” Essa música do grupo Jota Quest virou piada clássica de quem mora em JPA. Conhecido outrora como Sertão Carioca, reduto de hospitais que requeriam afastamento social e procurado por quem buscava contato mais próximo com a natureza, longe do caos urbano, o bairro adquiriu a fama de lugar distante, sempre tendo outros bairros como referência: “perto da Barra… depois do Valqueire”.
Entretanto, o bairro cresceu. A criação da Transolímpica e do BRT trouxe mais mobilidade para seus moradores, porém continuamos tendo que sair do bairro para ter acesso à cultura e ao lazer.
Ninguém sabe se divertir mais do que os suburbanos. Desde a batucada na esquina e o futebol com os amigos até os festivais de pipa. Mas, se quisermos ir ao teatro, a uma biblioteca ou a um show, precisamos sair do bairro. Será?
O isolamento geográfico em relação ao Centro da cidade e à Zona Sul, onde existe um Rio de Janeiro diferente do subúrbio, nos mostra uma cidade partida. Uma das soluções para essa questão está em valorizar o que é produzido em nosso território. Prestigiar as ações culturais e artísticas desenvolvidas aqui, pois, assim, além de termos acesso à cultura de forma mais contínua, incentivamos aqueles que tiveram a iniciativa de produzi-la em escala local, visibilizando para o poder público a necessidade de investimentos.
Além das riquezas naturais, como as cachoeiras e trilhas do Parque Estadual da Pedra Branca, acessíveis tanto por sua base no Camorim quanto no Pau da Fome, temos o Quilombo Cafundá Astrogilda, em Vargem Grande, que, além das cachoeiras, oferece programação ao longo do ano, como rodas de jongo e feijoada.
O quilombo Aquilah tem a maior parte de suas atividade no Centro Cultural Professora Dila Silva de Sá, localizado na Rua Barão, na Praça Seca. Entre as atividades estão os ensaios das Pastoras do Aquilah, com rodas de samba, oficinas de agroecologia com produção de hortas de ervas medicinais, costura criativa e artesanato. Na sede da associação de mulheres do quilombo Aquilah, na Taquara, acontecem oficinas de massagem terapêutica e canto afro.
Ainda na Praça Seca, temos o Ponto de Cultura Ubemtem, com aulas de capoeira ministradas pelo Mestre Jujuba, rodas de jongo, eventos com reunião de capoeiristas e difusão da cultura afro. E, se desejar trocar livros, ler em um ambiente tranquilo e ter acesso gratuito à internet, vá conhecer a Biblioteca Popular Municipal Cecília Meireles, na Rua Doutor Bernardino, nº 218, Praça Seca.
Outro importante ponto de encontro é a Casa de Cultura de Jacarepaguá. O espaço oferece aulas de pintura, teatro, círculos de leitura e promove autores e artistas locais, além de feiras literárias e passeios históricos pelo corredor cultural da Rodrigues Caldas, que incluem a Fazenda Baronesa e o aqueduto da Colônia.
O Museu Bispo do Rosário, localizado na Colônia, possui programação que vai de oficinas a exposições permanentes e itinerantes. Um passeio agradável para toda a família!
A Areninha Cultural Jacob do Bandolim, na Praça do Barro Vermelho, no Pechincha, além de oficinas e esportes, tem uma vasta programação que inclui shows, stand-up, teatro adulto e infantil, dança e apresentações de diversos grupos e escolas de música locais, por preços acessíveis.
Se você nasceu antes dos anos 1980, deve lembrar do cinema de rua da Praça Seca. Hoje temos o coletivo Cine Praça Seca, que promove mostras de cinema, debates e oficinas de audiovisual.
A Praça Valdir Vieira, na Boiuna, também tem ganhado destaque. Uma das praças mais “abandonadas” da localidade está recebendo a Clínica da Família e sendo revitalizada com sessões de cinema inflável e feiras com música ao vivo. O projeto “Cultura e Saberes na Praça” acontece um domingo por mês e é uma ótima opção para curtir o dia em família.

Conhecer a história do bairro e cuidar dos lugares públicos, entendendo verdadeiramente que são lugares de todos, é uma forma de pertencimento que traz orgulho à nossa identidade. Ocupar esses espaços, como praças e pontos de cultura, também é uma forma de combate à violência e de construirmos felicidade no lugar que chamamos de nosso.
Vamos valorizar o artesanato, as expressões artísticas locais e vivenciar o território como ele deve ser: cheio de vida!
Contatos para conhecer e ficar ligado na programação cultural da região:
@culturasesaboresnapraca
@casadeculturajpa
@ubemtem
@museubispodorosario
@quilomboaquila
@cinepracaseca





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