• Nélio Fernando

ANDRÉ BARRETO É LOCUTOR, RADIALISTA, COMPOSITOR, CANTOR, POETA E UM APAIXONADO POR JACAREPAGUÁ

Atualizado: 1 de Jul de 2021

Decidi realizar uma entrevista com o André Barreto que é puro talento artístico para apresentá-lo à nova geração de moradores da Baixada de Jacarepaguá. O encontro foi marcado num sábado, com um sol para cada um, no tradicional Bar dos Amigos, na Comunidade do Tangará, um recanto na Cidade de Deus. Cheguei ansioso, com meia hora de atraso, e deparei-me com André Barreto e nosso amigo Waldoberto de Albuquerque Alves — o Beto, conhecido como Seu Collon, que é o dono do bar — bebendo uma cerveja, num animado papo, porque há muitos anos não se viam, apenas trocavam figurinhas por telefone. Após os cumprimentos, Seu Collon organizou mesa e cadeiras no interior do bar, cercado de belas plantas cultivadas pela senhora Maria do Carmo (Dona Nina, esposa de Seu Collon).


Conforme previsto, iniciei a conversa para escrever essa matéria para o Jornal Abaixo-Assinado sobre a trajetória da vida artística de André Barreto.


André Barreto é pai de Lucas, 20 anos, Luan, 14 anos, e Agatha de 8 anos. Nasceu no Pará, estado do Norte brasileiro, e se mudou com seus pais ainda bebê para o bairro de Anchieta. Falar sobre André, hoje morador de Jacarepaguá, é rememorar, dar luz e reafirmar uma importante parte da identidade cultural da região, bem como traduzir a áurea da Zona Oeste, sem desprezar sua importância para com toda a cidade maravilhosa.


André Barreto viaja no tempo e se empolga ao citar o Grupo Nascente, de Gilson de Barros e Adailton Medeiros, na Cidade das Artes de Anchieta, que foi a quinta Lona Cultural (Carlos Zéfiro), tendo como padrinhos Juca Kifouri e Marisa Monte. Fala com entusiasmo da “Poesia no vagão”, com Alexandre de Cantos. Extremamente empolgado, Barreto me diz que foi transformado em personagem no livro O espelho de Narcisópoles na era da self, do autor Adailton Medeiros. Sua memória viaja, e ele relembra da Politeama, no Recreio dos Bandeirantes, onde jogou bola com notáveis artistas no campo de futebol de Chico Buarque, e recorda que se sentou na mesma cadeira que Vinicius de Moraes em meados de 2013.


Como locutor, André teve passagem marcante na Rádio Comunitária Virtude FM, onde o seu programa Fale com a virtude, em Anchieta, no fim dos anos 1990, era ouvido por milhares de pessoas. Em meados de 2002, seu programa Bom dia Jacarepaguá, na Rádio Nova Sintonia FM, fazia entrevistas, prestação de serviços e atendia ligações de moradores, se tornando um ícone. O ritmo musical do forró, que mais tocava na rádio, passou a ser exclusividade, que identificava o comportamento de um povo, uma região que acolheu nordestinos que aqui cria seus filhos. Vem daí a amizade com “Seu Collon”, que possuía um bar na rua Agostinho Monteiro, onde amantes do forró se aglomeravam para ouvir e dançar. Era um ponto de encontro e difusão da cultura nordestina (ponto de alento).


Com o tempo e as mudanças inevitáveis do trem da vida, as rádios comunitárias perderam força, e Barreto, passando por grandes mudanças, não perdeu a esperança e, em 2016, ocupou o cargo de secretário do Grupo de Teatro Popular de Jacarepaguá (GTPJ), trabalhando com Flávio Alves e Carla Alves. Infelizmente, o coletivo não obteve sucesso, contudo a experiência foi riquíssima.


André Barreto me contou que se apaixonou por Jacarepaguá e suas histórias, e passou a divulgar a obra de Vadinho (Valdemar Costa), que era jornalista, fotógrafo, historiador e romancista, falecido em 2020, deixando uma vasta e preciosa obra sobre a região, seus costumes, valores, perdas e conquistas.


Hoje, André Barreto trabalha no Grupo São Jorge Autopeças, na praça Jaurú, como recepcionista e divulgador, recebendo os clientes com seu carisma, vozeirão e elegância.


O poeta e compositor vive em André Barreto. É autor de mais de 300 composições, cantando e apresentando o que de melhor a arte pode oferecer. PERFIL: Múltiplo personagem; Um carrossel de emoções; Não espera e faz; Devolve o que recebe de bom grado.


Enfim, termino o meu bate-papo com André Barreto ao som do violão de Seu Collon, tocando Djavan. André Barreto toca e canta “Sexo verbal”, do eterno Renato Russo, e logo vem com sua música autoral sobre a realidade da vida do artista no mundo de hoje.


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