A VIOLÊNCIA NÃO É DESTINO
- JAAJ

- 25 de jul.
- 2 min de leitura
É um projeto que precisa ser enfrentado.
A cada novo tiroteio, a cada operação policial que interrompe aulas, fecha unidades de saúde e espalha medo pelas ruas da Baixada de Jacarepaguá, somos levados a acreditar que a violência é inevitável. Não é. A violência tem causas, interesses e responsáveis. Por isso, também pode ser enfrentada.
Na segunda reunião do Fórum Popular da Baixada de Jacarepaguá, realizada em 11 de julho, o advogado popular Guilherme Pimentel provocou uma reflexão indispensável: é preciso romper com a falsa narrativa de que os territórios são dominados exclusivamente pelo crime organizado. Essa explicação simplifica uma realidade muito mais complexa e acaba escondendo os interesses econômicos e políticos que se alimentam da violência.
Como destacou Pimentel, a violência produz lucros, produz votos e sustenta relações de poder. A indústria das armas, setores da política que exploram o medo como plataforma eleitoral e a permanente violação de direitos compõem uma engrenagem que transforma a vida das periferias em campo de disputa. Enquanto isso, a população continua pagando o preço mais alto: vidas interrompidas, juventudes sem perspectivas, escolas fechadas, trabalhadores impedidos de circular e comunidades inteiras submetidas ao medo cotidiano.
Não existe solução baseada apenas no aumento da repressão. Décadas de políticas centradas exclusivamente no confronto armado demonstram seus limites. Segurança pública não se resume à ação policial. Ela exige inteligência, investigação qualificada, controle das armas e das organizações criminosas, combate à corrupção, prevenção, investimento social e presença permanente do Estado por meio da educação, da saúde, da cultura, do esporte, da moradia e da geração de trabalho e renda.
Defender os direitos humanos não significa proteger criminosos. Significa defender o direito da população de viver sem medo, sem bala perdida, sem desaparecimentos, sem execuções e sem a negação de direitos fundamentais. Uma política de segurança democrática tem como princípio a proteção da vida de todos.
É nesse contexto que o Fórum Popular da Baixada de Jacarepaguá reafirma sua importância. Não basta denunciar a violência. É preciso construir alternativas. É preciso ouvir quem vive diariamente essa realidade e fortalecer a participação popular na formulação das políticas públicas.
No próximo dia 15 de agosto, o Fórum voltará a se reunir para consolidar um documento de propostas sobre segurança pública e discutir a realização de um encontro estadual com redes populares, movimentos sociais, universidades, entidades da sociedade civil e demais organizações comprometidas com a construção de uma política de segurança baseada na democracia, na justiça social e na valorização da vida.
A Baixada de Jacarepaguá não quer ser conhecida pela violência. Quer ser reconhecida por sua história, sua cultura, seu povo trabalhador e sua capacidade de organização. É hora de romper com a política do medo e afirmar uma política da vida.
Essa é a tarefa do nosso tempo. E ela só será cumprida com participação popular, democracia e coragem para enfrentar os interesses que lucram com a violência.



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