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A força de um povo organizado: Escola Quilombola Cafundá Astrogilda

Equipe de fundadores da comunidade e professores voluntários da escola


A Escola Quilombola Cafundá Astrogilda

Texto de Júlio Dória*

A formação da comunidade Quilombola Cafundá Astrogilda teve o seu início há aproximadamente 200 anos atrás. Alguns aspectos estruturais que estiveram presentes nos anos iniciais de sua formação, no século XIX, ainda encontram-se presentes na complexa teia de solidariedade e de autogestão que caracterizam este território localizado na vertente sul do Maciço da Pedra Branca, no bairro de Vargem Grande, zona oeste do Rio de Janeiro.

Em meio às permanências e continuidades históricas, a manutenção e valorização das tradições e costumes afro-brasileiros são marcantes e de grande interesse na e para a comunidade. O apreço a sua própria história, bem como o empenho na preservação dos valores ancestrais da comunidade, se relacionam com as preocupações do cotidiano, principalmente aquelas voltadas para o empoderamento de seus jovens e adultos que precisam lidar com as demandas políticas, econômicas e sociais de natureza local ou nacional.

Nesse sentido, a comunidade Cafundá Astrogilda construiu uma escola autônoma e autogestionada objetivando atender as suas necessidades e interesses. Com uma metodologia própria baseada em conceitos e princípios oriundos de uma tradicionalidade afro-brasileira, a Escola Quilombola Cafundá Astrogilda invoca uma perspectiva ao mesmo tempo complexa e particular da prática pedagógica. Oficinas extracurriculares, aulas construídas a partir dos saberes e fazeres tradicionais, aulas com as mulheres e homens mais velhos da comunidade, entre outras práticas, está estruturado no Projeto Político Pedagógico desta escola. Não seria possível adotar velhas soluções para uma nova e específica realidade.

Por fim, a capacidade organizativa e intelectual dos quilombolas de Vargem Grande suscitou a necessidade de ressignificação dos saberes veiculado para a comunidade que era e ainda são aprendido em outros espaços – obviamente, fora dela. Por isso, a construção de uma escola própria que atenda não somente às necessidades práticas e materiais da comunidade se faz urgente, mas também, se é igualmente necessário e fundamental a reorganização dos saberes bem como se reconhecer e ser reconhecido como um espaço de produção de conhecimento tradicional e formal capaz de construir o seu próprio local de ensino e aprendizado.

Que se inicie o epistemicídio e surjam novas formas de saberes e aprendizados, baseados no que é importante para nós, que venha de nós e que ao menos para nós, faça sentido!

*Professor 

** Foto extraída do Facebook Cafundá Astrogilda

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