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A falência do estado do Rio de Janeiro e a Educação


foto servidores

Protestos dos Servidores em frente a Alerj contra o pacote de maldades do governo Pezão

Por Júlio Dória*

As últimas notícias sobre a administração das finanças do governo estadual, relativas aos seus compromissos com a Secretária de Educação são alarmantes. Descumprimento de pagamento do salário de professores, parcelamento do 13o salário, alteração contra revelia da data do pagamento dos servidores, sucateamento de unidades escolares com o afastamento de funcionários terceirizados que atuavam como inspetores e porteiros, enfim, um total e vergonhoso descaso.

Em sentido contrário, no ano passado, todo o Judiciário teve um reajuste positivo dos seus vencimentos, além de receber consideráveis bonificações. Enquanto isso, o governo propôs um congelamento no reajuste do salário dos servidores, atrelando-o ao crescimento da arrecadação do estado. Nesse sentido, ao mesmo em que quase todos os setores do funcionalismo público estadual do Rio de Janeiro tiveram os salários reajustados no ano passado, a Educação não viu a cor desse dinheiro e não verá por um bom tempo.

O descaso deste governo com a Educação e os seus servidores é lastimável e atesta o desinteresse com a formação intelectual das classes menos privilegiadas da nossa sociedade. Ao filho do trabalhador carioca está relegado um sistema de educação em que a estrutura é constantemente sucateada e os profissionais são desestimulados e mal remunerados. Como e o que esperar da formação da grande maioria da população? Com péssimas condições para estudar, terão um futuro profissional incerto e alimentarão as filas para os subempregos, entre outras terríveis possibilidades.

É com indignação que ouvimos o governador pedir publicamente paciência aos servidores, e calma à população pelo sucateamento das escolas, hospitais e UPAs, enquanto oferece incentivos fiscais a empreiteiras, compra trens para Supervia e aumenta consideravelmente os impostos, como o IPVA, e não faz esforço algum para melhorar a condição de quem mais precisa.

Está claro que este governo está comprometido com os interesses do grande capital e das grandes empresas. A educação de qualidade não interessa a ele, e os seus métodos de avaliação como o Saerj e o Saerjinho são figurações para maquiar a qualidade do ensino no estado. Em nada avaliam a qualidade, pois esta deveria estar submetida a outros critérios mais sérios, analisados por gente interessada na qualidade do ensino oferecida aos nossos jovens carentes e não apenas em mascarar índices e resultados com fins eleitoreiros, para justificar que a educação e o ensino do estado melhoraram com base apenas na diminuição dos índices de reprovação e das notas obtidas nos sistemas “frios” de avaliação.

Nesse sentido, não há motivo para termos uma Olimpíada, tendo em vista as dificuldades financeiras pelas quais passamos. E mais: esses jogos não beneficiarão a maior parte da população que precisa de escolas e hospitais e não de obras que, além de causar enormes transtornos na circulação pela cidade são superfaturadas e pagas com o nosso dinheiro, sem contar que são responsáveis pela remoção de milhares de cariocas de suas moradias que verão cruzar ali estradas e prédios de luxo.

É evidente que o governo em nada se compromete com as necessidades e demandas populares. O seu compromisso é com o aumento da arrecadação para o pagamento dos credores e com o favorecimento de empresas que o patrocinam.

*Professor

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