• Jornal Abaixo Assinado

A DESTRUIÇÃO DA FAZENDA COLUBANDÊ


Na banda D’Além – Fazenda Colubandê

*Marcos André D.C.N.de Azevedo

Uma altaneira imperial solitária, flamula combalida, do alto de uma colina as margens da BR-101.Em sua frente todo fluxo de pessoas, turistas, indo a região dos lagos e trabalhadores locais que vão ao Rio ou a Niterói. Antigos caminhos que foram doados em enormes glebas a fidalgos e parentelas da nobreza da terra ou a religiosos como aos Jesuítas. Assim foi partido cada palmo destes chãos. É como molhar a pena em sangue ao descrever tantos descalabros, é mais uma gota no mar de densa lama política que a atual conjectura nos impõe de goela abaixo, uma jogatina de desmandos furto do retábulo da capelae depredações da sede da fazenda.

É DESESPERADOR, INFAME, CRIME de LESA PATRIMÔNIO! Depois de 77anosdo seu reconhecimento como bem tombado na esfera federal (IPHAN). Segundo a pesquisadora e teóloga colaboradora do IPHARJ, ALBA LAURENTINO, “O histórico desta sede, a fazenda do COLUBANDÊ constitui um complexo arquitetônico ímpar de expressivo valor sócio cultural. Exemplos da nossa sociedade rural fluminense,suas relações sociais e econômicas estão claramente evidenciadas no espaço arquitetônico, setor social, setor de serviços e religiosos”.


Segundo o visitador clerical José de Souza Azevedo Pizarro de Araújo (1753-1830), no livro das Visitas Pastorais feitas em 1794 a 32º freguesia de São Gonçalo no seu território na página 253; havendo em outro tempo 15 capelas, hoje só existem as seguintes: 1º Fazenda da Trindade… antes de 1729, 2º Engenho Pequeno, da Nossa Senhora do Rosário, 3º Nossa Senhora da Luz….5º Sant’Ana, no lugar  do bairro de Pacheco. Reformada em 1747. 6º São Francisco, no lugar Quibangaça,1743. 7º Fazenda de Sant’Ana, e Capela interna de Nossa Senhora de Monserrate, no lugar COLUBANDÊ, de JOÃO RIBEIRO de MAGALHÃES.


Segundo Monsenhor Pizarro “A capela externa toda forrada de madeira, e azulejos do Arco para cima; e conserva-se com asseio na pintura que lhe fez seu primeiro fundador, mostrando não ser poupado para o asseio da casa de Deus. Achei precisada de outra pedra D’Ára, por estar quebrada a que havia; e de outra imagem de Cristo, por imperfeita a que existia; em tudo ou mais achei em termos. Seus documentos não me foram apresentados, requerendo-os eu; por esta causa fiquei ignorando o tempo da sua fundação, quem foi seu fundador”. Em nota sobre o Engenho Pequeno, com Capela de Nossa senhora do Rosário, do Capitão Joaquim de Frias de Vasconcellos foi interditada pelo Visitador Monsenhor PIZARRO.

A casa grande sofreu várias reformas desde a construção por sua primeiraproprietária D. Catarina da Siqueira. A flor com cinco pétalas grafadas nos assentos das conversadeiras, mostram singelamente este toque feminino de uma poderosa senhora de engenho do século XVII, com capela interna chamada Nossa Senhora de Montserrat. Com as reformas no século XIX, a mando do Barão de São Gonçalo, o coronel Belarmino Ricardo da Siqueira, cujo seus descendentes indiretos viveram na casa até 1968. A sede ganhou enobrecimento, ouvemodificações na distribuição interna, subdivisões de alguns aposentos, fechamentos de vãos e abertura de outros, ou seja, perdas de alcovas coloniais para salas e quartos com janelas. Também a demolição da capela interna. Prospecções poderãoconfirmar tais alterações. Com seus 38 cômodos, incluindo os quartos do subsolo que serviam de senzala aos escravos, ocupando uma área construída de28.000 M², sendo 122.141 M² de área verde, a piscina externa não compunha o conjunto primitivo, esta foi construída por um dos seus mantenedores após a desapropriação, o COUNTRY CLUBE de São Gonçalo. Esta joia teve seu valor reconhecido nacionalmente em1940.


SÃO GONÇALO/FAZENDA COLUMBANDÊ e CAPELA de SANTANA Processo:212-T-39-IPHAN-LIVRO:BELAS ARTES Vol.1-N: de inscrição :285 N: da Folha:49-DATA 23-03-40.

*Historiógrafo Pesquisador JAAJ e Noph-Jpa.

Fontes: Arquivo particular Telles Rudge, Arquivo IPHAN- RJ; Referências Bibliográficas: COARACY, Vivaldo. O Rio de Janeiro no século dezessete. Rio de janeiro: José Olympio, 1965. O Rio de Janeiro nas visitas pastorais monsenhor PIZARRO. Um inventário da arte sacra fluminense. SESC / Inepac, Rio de Janeiro. 2008. Foto Arquivo IHGBI.

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