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TMJ!

Quando começou a quarentena não sabíamos quanto tempo isso iria durar. Ou melhor, até sabíamos. Lá no trabalho disseram “pelo menos 15 dias em casa em home office”. Pronto! Esse conceito de trabalhar de casa fazendo o tal home office – diga-se de passagem, algo que parecia tão distante – teve que acontecer de um jeito ou de outro. E lá se vão oito meses e cá estamos nós. Eu, ainda em home office.

Muitas empresas adotaram o home office definitivamente para algumas áreas. Afinal, perceberam também o quanto pode ser econômico (tanto para empresa quanto para o funcionário) o fato de não terem mais que manter um espaço para todos trabalharem juntos. Menos despesas com aluguel, luz, água, e toda manutenção de um escritório. Grandes escritórios se esvaziaram, as empresas tiveram que se reinventar e nós também.

O interessante é que, embora distantes fisicamente, surgiu uma abreviatura que passei a usar constantemente. O tal “TMJ!” Você já ouvir falar? Já usou? Na primeira vez que alguém me enviou uma mensagem com “TMJ!” fiquei imaginando o que poderia ser o T, o M e o J separadamente. Imaginei que pudesse funcionar como uma sigla ou coisa parecida. Sinceramente não cheguei a nenhuma conclusão, mas pelo “diálogo” que estávamos tendo (se é que podemos chamar assim uma “conversa” via Whatsapp) imaginei que fosse algo gentil e respondi com um Emoji com uma carinha sorrindo. 

Quando fui pesquisar na internet descobri que “TMJ!” significa “Tamo Junto”. Quando seu filho quiser mostrar apoio a alguém ou a uma causa, provavelmente ele vai usar um #TMJ no whatsapp ou nas redes sociais. Nunca que eu iria adivinhar um negócio desses! Ainda mais num período em que estamos tão distantes, não é verdade? 

O fato é que, pelo menos para mim, mesmo distante me aproximei. Conheci e me aproximei de pessoas que eu nunca vi pessoalmente. Descobri afinidades com gente que só conheço a voz. Sim, afinal nem todo mundo “abre a câmera nas reuniões online”. E tudo bem.

Taí. Adorei essa antítese: “ainda que distante me aproximei”. Estou vendo que esse afastamento social provocado pela pandemia provocou, pelo menos em mim, uma nova forma de enxergar o outro. Não necessariamente com os olhos, presencialmente, mas com o sentimento de que todos nós somos humanos e “TMJ!” ainda que distantes.

Escrito por Cláudia Scott

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